CRIS CAIADOPartido Missão
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JANEIRO DE 2023 / BRASÍLIA / MEMÓRIA E TESTEMUNHO

Eu estava lá.

O que presenciei na Academia Nacional de Polícia após o 8 de janeiro.

Um relato em primeira pessoa.
Um acervo para preservar.
Um compromisso com a dignidade humana.

Panorâmica noturna do ginásio com pessoas, colchões, barracas e pertences distribuídos pela quadra
09 JAN 2023 · 22H05, conforme metadados · Ginásio da Academia Nacional de Polícia · Acervo fornecido por Cris Caiado.

01 / TESTEMUNHO PESSOAL

O que eu
presenciei

Há momentos que dividem a nossa vida entre antes e depois. Para mim, um deles aconteceu após o 8 de janeiro de 2023.

Eu fui o primeiro a chegar à Academia Nacional de Polícia, em Brasília, onde funcionou um campo de concentração improvisado, acompanhado do meu estimado colega advogado Bernardo Weaver, para prestar assistência jurídica às pessoas conduzidas ao local para triagem. O que encontrei permanece entre as experiências mais sombrias da minha vida.

Vi pessoas acomodadas no chão e nas arquibancadas de um ginásio. Lembro-me de pessoas idosas, gestantes, crianças e também animais. Na minha percepção, aquele espaço improvisado não oferecia as condições de dignidade que o Estado deve assegurar a qualquer pessoa sob sua custódia.

Durante o dia, senti o calor intenso no ginásio. Presenciei pessoas passando mal e desmaiando. Essas são lembranças do que vivi; não uma contagem de ocorrências nem um relatório médico.

Como advogado, meu dever era prestar assistência e defender as garantias fundamentais, independentemente da posição política de quem estivesse ali.

Cris Caiado no interior do ginásio, com pessoas e pertences ao fundo.
DATA EXATA NÃO CONFIRMADA NESTA CÓPIACris Caiado no interior do ginásio, com pessoas e pertences ao fundo.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗

02 / MEU TESTEMUNHO

Vi. Registrei.
Tornei público.

Fotografei e filmei o que estava presenciando. Dei publicidade às condições que encontrei e procurei chamar a atenção para as pessoas que estavam ali.

Esta página reúne parte dos registros que preservei e o meu relato sobre aqueles dias. Meu testemunho não substitui a investigação dos fatos, a análise dos documentos ou o exame de cada processo.

“Não importa a ideologia. A dignidade humana não pode depender de quem está sob custódia.”

CRIS CAIADO Advogado

03 / ACERVO FOTOGRÁFICO

Os registros.
Na sequência do tempo.

Fotografias fornecidas por Cris Caiado e relacionadas por ele à sua atuação na Academia Nacional de Polícia. As datas e os horários abaixo são os registrados nos arquivos, sem autenticação independente. Clique nas imagens para ampliar.

09JANEIRO / 2023
A noite no ginásio
Vista ampla da quadra: pessoas em colchões e cadeiras, barracas e pertences no interior do ginásio.
09 JAN · 22H05Vista ampla da quadra: pessoas em colchões e cadeiras, barracas e pertences no interior do ginásio.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
10JANEIRO / 2023
Atendimento e convivência
Bombeiros atendem uma pessoa deitada no piso, enquanto outras pessoas acompanham a cena. A imagem não permite concluir o diagnóstico ou o desfecho do atendimento.
10 JAN · 15H37Bombeiros atendem uma pessoa deitada no piso, enquanto outras pessoas acompanham a cena. A imagem não permite concluir o diagnóstico ou o desfecho do atendimento.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
Pessoas ajoelhadas diante de imagens religiosas, junto às arquibancadas do ginásio.
10 JAN · 15H48Pessoas ajoelhadas diante de imagens religiosas, junto às arquibancadas do ginásio.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
Uma mulher sentada em um banco no interior do ginásio, com outras pessoas ao fundo.
10 JAN · 15H53Uma mulher sentada em um banco no interior do ginásio, com outras pessoas ao fundo.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
11JANEIRO / 2023
Registros da madrugada
Vista do ginásio com barracas e pessoas, e parte da quadra desocupada. O registro, por si só, não explica a mudança na ocupação.
11 JAN · 01H18Vista do ginásio com barracas e pessoas, e parte da quadra desocupada. O registro, por si só, não explica a mudança na ocupação.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
Entrada da Academia Nacional de Polícia à noite, com veículos, cones e pessoas junto à portaria.
11 JAN · 01H25Entrada da Academia Nacional de Polícia à noite, com veículos, cones e pessoas junto à portaria.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
OUTROS REGISTROS DO ACERVO
Sem data de captação confirmada
Vista diurna do ginásio, com pessoas e pertences na quadra e nas arquibancadas.
Vista diurna do ginásio, com pessoas e pertences na quadra e nas arquibancadas.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
Barracas, cadeiras e pessoas em área arborizada junto a uma edificação.
Barracas, cadeiras e pessoas em área arborizada junto a uma edificação.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗
Grupo de pessoas de mãos dadas em área externa, em momento apresentado no relato como oração.
Grupo de pessoas de mãos dadas em área externa, em momento apresentado no relato como oração.Acervo fornecido por Cris Caiado · Abrir fotografia ↗

As legendas descrevem o conteúdo visível. As fotografias não estabelecem, por si só, a situação processual das pessoas retratadas. Cópias repetidas foram reunidas em um único registro na galeria.

04 / REGISTROS EM VÍDEO

Imagens e vozes
daqueles dias.

Seis gravações fornecidas por Cris Caiado, apresentadas sem cortes de conteúdo. As falas são depoimentos de seus autores; eventuais acusações não equivalem a conclusões comprovadas. Reprodução somente ao acionar o vídeo.

10 JAN 2023 · 14H21

Registro em área externa

3min05s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗
10 JAN 2023 · 14H26

Depoimento de Cris Caiado em área externa

1min39s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗
10 JAN 2023 · 15H37

Atendimento de bombeiros no ginásio

48s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗
10 JAN 2023 · 15H55

Conversa com uma mulher no interior do ginásio

16s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗
10 JAN 2023 · 18H35

Registro em área externa ao fim da tarde

1min46s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗
DATA DE CAPTAÇÃO NÃO CONFIRMADA

Depoimento de Cris Caiado com o ginásio ao fundo

1min28s · Acervo fornecido por Cris Caiado

Abrir vídeo em tela própria ↗

Nos vídeos datados, a sequência usa o campo de data de captação do aparelho (horário de Brasília), que pode diferir da data de exportação da cópia. No vídeo extraído de rede social, a data exata de captação permanece sem confirmação.

05 / PERGUNTAS PARA APURAÇÃO

O que ainda
precisa ser
esclarecido

Defendo uma reconstrução documental dos acontecimentos, com acesso aos registros e responsabilidade na análise.

  1. Quais critérios individualizados fundamentaram as conduções, as prisões e as decisões posteriores?
  2. Como foram garantidos o acesso à defesa, a informação às famílias e o atendimento às pessoas vulneráveis?
  3. O que registram os prontuários, os relatórios de atendimento e os encaminhamentos às unidades de saúde?
  4. Quem determinou cada etapa da operação e quais providências foram adotadas diante das condições de custódia?
  5. Quais eventuais violações podem ser demonstradas por documentos, perícias e depoimentos, e a quem cabe responder por elas?

06 / MINHA POSIÇÃO POLÍTICA E JURÍDICA

EU SOU CONTRA
A ANISTIA.

EU SOU A FAVOR DA
AMPLA ANULAÇÃO DE TUDO.

Defendo a ampla anulação dos julgamentos, das condenações e das prisões relacionados ao 8 de janeiro.

Na minha avaliação, tudo o que aconteceu ali foi um crime contra a humanidade.

Defendo que todos sejam inocentados, tenham suas fichas limpas e sejam indenizados, assim como suas famílias.

É por essa reparação ampla e pela responsabilização dos envolvidos nas violações que quero lutar no Congresso Nacional.

Posição política e jurídica de Cris Caiado. A qualificação dos acontecimentos como crime contra a humanidade expressa sua avaliação; não é apresentada nesta página como conclusão judicial estabelecida. A anulação, a inocentação e as indenizações são medidas que ele defende.

07 / PROPOSTA PARA O CONGRESSO

Comissão da Verdade.
Garantias para todos.

Defendo a criação de uma comissão independente para reconstruir documentalmente os acontecimentos relacionados ao 8 de janeiro e seus desdobramentos.

01

Ouvir

Pessoas conduzidas e presas, familiares, advogados, policiais, profissionais de saúde, membros do Ministério Público, defensores públicos e magistrados.

02

Documentar

Reunir imagens, decisões, registros de custódia e de atendimento, com transparência e proteção dos dados pessoais e dos direitos das pessoas envolvidas.

03

Apurar

Identificar a cadeia de decisões e eventuais violações, individualizar responsabilidades com fundamento em provas e encaminhar os resultados às instâncias competentes.

04

Prevenir

Propor salvaguardas para a atuação policial, do Ministério Público, da Defensoria e do Judiciário, assegurando defesa, dignidade e controle institucional.

08 / MANIFESTO

ESTE NÃO PODE SER O BRASIL QUE QUEREMOS.

Todos nós, com todas as nossas diferenças, saímos da vida da mesma maneira. Nenhum poder, nenhuma riqueza e nenhuma convicção política nos tornam menos humanos ou mais merecedores de dignidade do que os outros. Reconhecer essa condição comum deveria ser o primeiro fundamento da nossa convivência.

Considero o que presenciei na Academia Nacional de Polícia, nos dias que se seguiram ao 8 de janeiro, um dos episódios mais graves da nossa história recente.

Havia crianças, idosos, jovens, adultos e mulheres grávidas reunidos em um espaço impróprio. Vi pessoas passando mal, rostos tomados pelo medo e seres humanos submetidos a condições que considero incompatíveis com a dignidade que o Estado tem o dever de proteger. Eram pessoas segregadas de suas famílias e de seus amigos. Lá fora, ninguém sabia quem estava lá dentro.

A indiferença e o tom de comemoração presentes em parte da cobertura pública e da sociedade aprofundaram aquela dor. Quando o sofrimento de pessoas se torna motivo de celebração, ou deixa de merecer atenção por causa de suas posições políticas, vejo um sinal de tempos difíceis. A dignidade humana precisa encontrar espaço mesmo onde não existe concordância política.

Para mim, naquele lugar, liberdade, igualdade e fraternidade deixaram de ser compromissos respeitados. Tornaram-se palavras distantes da realidade que estava diante dos meus olhos.

Nenhuma convicção política autoriza a desumanização. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhuma pessoa perde seus direitos fundamentais por ser considerada adversária de quem exerce o poder.

Até hoje, há famílias separadas, vivendo na insegurança, enfrentando dificuldades materiais e carregando o sofrimento de quem tenta reconstruir a própria vida.

A resposta que defendo é justiça. É preciso conhecer a verdade, reconhecer as violações, responsabilizar quem as cometeu e reparar as pessoas atingidas e suas famílias.

Se chegamos a esse ponto, temos o dever de compreender como chegamos até aqui — e a responsabilidade de escolher outro caminho.

Precisamos desconstruir essas instituições que considero apodrecidas pela corrupção, que servem de abrigo para o crime e de instrumento de enriquecimento para quem deveria agir com probidade. A participação dessas instituições no que considero uma caça às bruxas revela seu colapso. Já não respeitam a bandeira, a terra, o povo, nem sequer umas às outras.

No lugar delas, devemos projetar e construir novas estruturas, com propósito, responsabilidade e compromisso de servir à sociedade humana.

Eu tenho fé. Fé em algo maior, na consciência humana e, especialmente, na nossa capacidade de manifestar indignação e transformá-la em compromisso; de transformar sofrimento em solidariedade e memória em mudança.

É essa convicção que quero levar ao Congresso Nacional.

Este não pode ser o Brasil que queremos. O Brasil que devemos construir precisa assegurar liberdade, justiça e dignidade a todos — sem distinção de ideologia, credo ou raça.

Cristiano Caiado De Acioli
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